quarta-feira, 30 de março de 2011

A Angustia do Existir

A queixa de uma angústia, de uma inquietação existencial que acompanha “desde sempre” muitos individuos, pode até ser considerada comum. Há casos, em que se trata de uma angústia gerada por uma determinada situação. Essa perturbação é provocada por circunstancias externas, e é possível identificar sua origem, seu papel, e encontrar formas de lidar com ela.  Todavia, há casos que dizem respeito a uma angústia que não é gerada por questões circunstanciais, mas trata-se de uma insatisfação, de algo que acompanha a pessoa por toda a trajetória de sua existência.
O termo “Angústia” tem sua origem no latim “Angustus” que significa “estreito, apertar, afogar”. Esse termo surge a partir de uma experiência corporal de ser no espaço, significando um estreitamento da vivência. Daí provém a expressão clássica de “aperto no peito” ou “bolha na garganta” ao se definir a angústia, sem se ter clareza sobre o que provoca essa sensação.
Eis a explicação sobre a real diferença entre angústia e medo: Kierkegaard, afirma que no medo se tem certa clareza de que é uma emoção, pois possui um objeto, isto é, sente-se medo de algo possível de ser definido, concreto. Já a angustia, ao contrário, não se tem uma clareza do objeto que a evoca.
Na filosofia existencialista, não há a crença de que possa existir vida sem sofrimento ou a felicidade eterna. Acredita que as amarguras existenciais, dentre elas a angústia, a solidão, o tédio etc., são intrínsecas à existência humana.
É a angustia que tira o homem do comodismo e o leva à ação, o faz mudar de atitude, seu modo de pensar, de agir. Possibilita a reflexão e discussão acerca dos valores existenciais que ampliam a compreensão da realidade humana. A angústia não é, portanto, um sentimento negativo, mas uma experiência que evidencia quando se tem consciência da condição humana de seres livres e únicos.
O homem possui a liberdade para assumir a totalidade dos próprios atos e, diante da obrigação de escolher, se angustia. Visto que mesmo o ‘não optar’ já é em si, uma maneira de delegar o poder decisório a um outro e, como tal, arcar com a responsabilidade do que for escolhido por este.
Para Sartre e Kierkegaard, a consciência dessa liberdade é a própria angústia, pois ao escolher o que quer ser, o homem torna-se ao mesmo tempo, um legislador de si próprio e da humanidade inteira, sendo responsável pelas conseqüências de suas escolhas.
Afirmam ainda, que o homem pode tanto optar por ser verdadeiro consigo mesmo e refletir acerca de sua responsabilidade perante si e a humanidade, quanto utilizar-se da ‘má-fé’, disfarçando sua angústia mentindo para si mesmo, justificando que seus atos implicam apenas ele mesmo. Consegue desta forma, temporariamente, uma falsa sensação de tranquilidade.
Heidegger acrescenta que a angústia é um sentimento que amedronta a todos diante do “nada” existencial, isto é, da impossibilidade de existir uma resposta para a existência, para o oculto. A angústia tem um papel central na existência do ser, pois o coloca diante do desconhecido, do risco, da dúvida, da incerteza. Afeta a ambiguidade das possibilidades, sempre as confrontando diante de suas ambivalências (Ser X Não Ser, Criação X Destruição, Vida X Morte, Sentido X Insignificação).
Assim, o homem está-aí, é um ser lançado no mundo. O estranhamento das coisas, a ausência de familiaridade com o mundo, ou como prefere Heidegger, a “presença” é a abertura para ter consciência desse mundo. Essa sensação que permeia o cotidiano e que apresenta ao homem sua situação essencial de ser – para – morte, ou seja, de ser um projeto finito, vem acompanhada de dois sentimentos: a angústia e o medo.
O não se sentir em casa, deve ser compreendido existencial e ontologicamente como o fenômeno mais originário. O existir clama, movido pela angústia do ser, pessoal e autêntico, que implica em se reconhecer como esse ser – para – morte. Porém, muitas vezes isso não acontece, e o ser “esquecido” de sua liberdade de escolha, justifica sua angústia lhe dando objetos para se tranquilizar novamente, enganando a si mesmo. Esse modo de agir, impessoal e inautêntico, lança o ser no mundo das ocupações e preocupações, no imediatismo das tarefas e das regras. O que aparentemente o isenta de ter que pensar, tirando a responsabilidade de assumir suas escolhas. Quem escolhe é todo mundo e, dessa forma, todo mundo é ninguém.
A consciência da finitude das coisas angustia e provoca temor no homem, pois o coloca frente à possibilidade da própria morte como fim. No entanto, é essa angústia do aqui – agora que remete o homem em seu poder ser mais próprio, escolhendo o que quer ser e assumindo a responsabilidade de suas escolhas.
A angústia do aqui – agora parte do princípio de que o homem é um ser temporal, com sua história individual, definida em uma época e espaço historicamente determinados. Isto significa que o homem é um ser único e que apenas ele pode vivenciar suas experiências. Quer dizer que nenhuma pessoa pode vivenciar a vida no lugar de outra, escolher as escolhas do outro, ou assumir as responsabilidades pelo outro.

Micheli Krayevski
chelykrayevski@gmail.com

quinta-feira, 24 de março de 2011

Amor Eterno?

Sim, pesquisas neurocientíficas recentes mostram que é possível sim se sentir encantado pela mesma pessoa por décadas. Imaginar-se vivendo 10, 20... 50 anos com a mesma pessoa e ainda continuar sentindo prazer em sua companhia e conforto em seus braços, para muitos, pode parecer uma proposta muito interessante. Se pensar em viver dessa forma lhe traz uma sensação bem estar, não agradeça ao seu coração. Agradeça seu cérebro! Já se essa idéia não lhe agrada a responsabilidade também é dele também.
Diferente de muitos animais, que procuram um par somente para o acasalamento e imediatamente depois cada um segue seu caminho. Na raça humana (assim como em outros seres vivos que vivem em sociedade) os laços afetivos e amorosos são muito importantes, pois na maioria das vezes, é através deles que buscamos a sobrevivência de nossa espécie.
Gostamos tanto de formar pares que gastamos muita energia, tempo e esforço para convencer um belo modelo de que somos a pessoa mais sensacional, interessante e desejável, entre as outras 6 bilhões de pessoas existentes na Terra. Isso porque, segundo a pesquisadora Suzana Herculano-Houzel, nosso sistema cerebral é capaz de atribuir um incrível valor positivo à companhia alheia. A função do sistema de recompensa (conjunto de estruturas do cérebro especializado em detectar quando algo interessante acontece) é premiar-nos com uma sensação física inconfundível de prazer e satisfação e ainda associar esse prazer com o que nos levou a ele – pode ser uma ação, situação, objeto ou... alguém.
Conforme esse sistema é acionado, cada vez que tem uma sensação de prazer na companhia dessa pessoa, um valor positivo que atribuímos a ela é reforçado. Com isso, devemos ficar na torcida para que a mesma coisa esteja acontecendo no cérebro dessa outra pessoa. Que ela esteja associando um valor cada vez mais positivos a nossa companhia. Isso é o que fazemos no período de namoro. As conversas sempre são interessantes, passeios agradáveis, boa musica, boa comida e carinho oferecem prazeres que vão sendo associados à relação. Se acrescentar o sexo, fica melhor ainda: o prazer do orgasmo funciona como uma cola extraordinária para o sistema de recompensa, que atribuirá satisfação incrível àquela pessoa específica (mas é verdade que isso não funciona tão bem em alguns cérebros...).
Com a repetição, o sistema de recompensa vai aprendendo a ficar ativado não apenas em resposta a companhia, mas também em antecipação à presença daquela pessoa, que está ficando cada vez mais importante e essencial. Essa antecipação é a motivação, para que alteremos compromissos ou fiquemos acordados madrugada adentro. Essa é a paixão, sentimento que faz com que se faça tudo em nome de mais tempo na presença do ser amado.
Uma questão complicada é: quando isso vira amor? Operacionalmente falando é quando passa o ardor da paixão e descobre-se que pensar em uma vida sem seu companheiro causa angustia profunda e sincera. O amor é esse laço que faz o cérebro acreditar que não existe felicidade sem a presença do outro, e ao fazer seu companheiro feliz dá um novo sentido à vida.
Se será para sempre, depende de vários fatores – muitos deles completamente fora do nosso controle. A boa noticia que a neurociência nos dá é que os relacionamentos não estão necessariamente fadados ao esgotamento, pois é sim possível, se sentir apaixonado por muitas e muitas décadas pela mesma pessoa. E não é o acaso ou a sorte, você tem grande responsabilidade e deve sempre fazer sua parte. É uma questão de continuar inventando e descobrindo novos prazeres a dois. Tudo que for possível para manter o sistema de recompensa do outro interessado em você...

Micheli Krayevski
chelykrayevski@gmail.com

sexta-feira, 18 de março de 2011

Inevitáveis Gafes

De repente, sem a menor chance de controle, as palavras saltam de nossa boca e quando nos damos conta já dissemos aquilo, que no momento seguinte nos arrependemos. É o lapso, o “fora”, a palavra que parece escapar – mesmo que tentemos evitar. Isso geralmente acontece em uma situação constrangedora, das quais ninguém está livre. Talvez por culpa da famosa Lei de Murphy: “Se alguma coisa pode dar errado, com certeza dará”.
Segundo o psicólogo social Daniel Wegner, da Universidade de Harvard, que estuda esses casos a mais de 20 anos, pessoas que tem tendência a ansiedade, depressão ou timidez são os grupos que mais levam a sério esses lapsos. Por isso, sofrem mais com eles, já que costumam ficar constrangidos e desconfortáveis em grupos que não lhe forneçam segurança.
O criador da psicanálise, Sigmund Freud, havia percebido isso em suas pacientes e nomeou o fenômeno de genville (ação executada contra a própria vontade). Na sua grande maioria mulheres recatadas do século XX, as histéricas de Freud tinham muito medo de fazer comentários sem propósitos ou incondizentes com o meio social em que viviam. E quando isso eventualmente ocorria, o deslize era visto por elas como algo realmente grave e assumia sérias proporções em seu psiquismo. E, curiosamente, quanto mais tinham medo de cometer uma gafe, mais isso acontecia.
Esses erros irônicos se produzem assim que os conteúdos reprimidos fogem do nosso controle. Mesmo que o recalque (impulso ou desejo expulso do consciente e escondido no inconsciente) seja uma estratégia eficaz, pode causar lapsos, pois exigem muita atenção e investimento de recursos cognitivos. É como se nos pedem para não pensar em um urso branco, automaticamente é a primeira coisa que nos vem à mente. Sim, é inevitável! Não temos controle sobre nossos pensamentos.
As pessoas mais emotivas parecem ser as que menos suportam cometer gafes. Esse temor, pode explicar em parte, porque os fóbicos sociais se isolam. Para essas pessoas, possíveis erros tornam-se uma ameaça constante. Aquele que busca se liberar de problemas emocionais recalcando pensamentos negativos entra frequentemente em um circulo vicioso: tenta lutar contra o pensamento, mas por meio de um mecanismo parecido como o do urso branco, acaba por se concentrar naquilo que gostaria de esquecer.
Como se proteger desse fenômeno? Uma recomendação bem simples: aprender a aceitar os pensamentos desagradáveis. Evitar a evitação!
Nos casos mais graves, nos quais a pessoa se sente atormentada por pensamentos intrusos, a análise diária das próprias preocupações, incluindo tudo aquilo que causa inquietação e se gostaria de reprimir. Uma confrontação dos pensamentos reprimidos costuma ter efeitos positivos na vida cotidiana e na saúde psíquica. Registrar por escrito seus tabus pessoais, aquilo que teme ou lhe causa vergonha. Segundo Pennebaker, da Universidade do Texas, esse exercício pode vir a reforçar o sistema imunológico, já que viria a causar menos estresse, e parte da energia psíquica despendida na repressão de certos conteúdos poderia ser empregada de maneira mais saudável.
Encontrar distrações que não aumentem o estresse, buscar tudo aquilo que interessa e não cria uma sobrecarga emocional, representa uma boa ocasião de se liberar do temor de cometer gafes. Para algumas pessoas mais rígidas consigo mesmas, pode ser muito tranquilizador tomar consciência de que esse tipo de incidente é simplesmente normal. Se parece difícil se conscientizar disso sozinho, busque conversar com amigos e familiares sobre situações constrangedoras, com certeza ouvirá historias engraçadissimas. Já se aquilo que seria apenas motivo de uma boa gargalhada ou um leve mal-estar, se tornar razão para se atormentar, parece ser a hora de procurar um profissional e de empenhar-se para tornar a vida um pouco mais leve.

Micheli Krayevski
chelykrayevski@gmail.com

segunda-feira, 7 de março de 2011

Fugindo do Amor

É incrível como as pessoas tem medo de amar, mas o interessante é que todas querem ser amadas e, por isso, inventam defesas e comportamentos para fugirem das responsabilidade e dos riscos que todo envolvimento afetivo sadio exige. Todos querem dinheiro, poder, cultura, beleza física para atraírem as pessoas e serem amados por elas, mas nem todos tem a coragem necessária para amar. Para certas pessoas, o temor da rejeição é tão grande e o medo do desastre afetivo é tão assustador, que passam a dificultar qualquer relacionamento que para elas possa ser emocionalmente mais envolvente.
Faz lembrar-me de uma cliente que se julgava capaz de amar, pois afirmava que o seu maior prazer era dar felicidade para os outros. mas a verdade era outra! Na realidade era a maneira que ela encontrava de controlar e de não se envolver afetivamente com ninguém. Até mesmo sexualmente mostrava isso, pois dizia que nunca havia conseguido alcançar orgasmos, mas que tal fato não importava. Dar prazer ao outro era o que a deixava feliz.
O que acontecia era que tinha medo de usufruir do prazer que qualquer tipo de relacionamento poderia lhe proporcionar, seja ele sexual, social ou profissional. Mostrava nesses três contextos comportamentos muito semelhantes. No grupo social, sempre muito feliz no papel de anfitriã e rejeitando, quase sempre, o papel de convidada. No trabalho, sempre solicita, pronta para ajudar os outros, fazendo tudo muito perfeito e sempre sorrindo, mas nunca se permitindo ser ajudada. No sexo, sempre ativa e participante, ajudando o parceiro a realizar-se plenamente, mas nunca se realizando.
Durante o processo terapêutico acabou percebendo que esse comportamento, na realidade, era a maneira que encontrava para não se sentir dependente de ninguém, pois a fatalidade, muito cedo, lhe empurrou para esse tipo de defesa – ser amada sempre, mas amar nunca.
Contou-me que ainda bastante pequena, perdeu seu pai num acidente automobilístico e que sua mãe, alguns meses depois foi internada em um hospital psiquiátrico e logo veio a falecer também. Foi “criada” por uma tia muito enérgica, pouco carinhosa e que lhe ameaçava constantemente expulsa-la de casa.
E assim, como tinha medo de sofrer novamente, passou a rejeitar o prazer que os outros poderiam lhe proporcionar. Isso lhe dava a falsa idéia de independência, pois, se as pessoas que lhe davam amor viessem por qualquer motivo lhe faltar, não sofreria tanto. Seu grande medo era sofrer novamente por perdas afetivas e era disso que ela se defendia, deixando-se amar, mas jamais amando.
Muitas pessoas se defendem do amor inconscientemente. Existem as que sonham em amar, mas amar uma pessoa tão maravilhosa, tão formidável, tão perfeita que bem provavelmente não encontrará. A partir dessa expectativa, toda relação que venha a ter será frustradora, pois ninguém conseguirá preencher os requisitos ideiais.
Outras pessoas tem consciência do seu medo de amar e escolhem a solidão afetiva por não terem a coragem de enfrentar o perigo de serem traídas, abandonadas e julgadas incompetentes para manterem um amor. Geralmente acabam se tornando pessoas muito sofridas, amargas e criticas.
Existem também os que fogem dos riscos do amor amando de uma forma neurótica. Por estar muito ligada a figura de um dos pais, a pessoa não consegue ter o desapego do cômodo lugar de “filhinho” e ter coragem para assumir as responsabilidades de uma amor adulto. Dessa forma, transfere para a pessoa amada os sentimentos, as esperanças e os temores que tinha/tem em relação aos pais. Com isso prejudica o vinculo. Espera, desse relacionamento, as mesmas satisfações, a mesma proteção, tantas provas de amor, de cuidado e admiração, que parecem verdadeiras crianças. Querem ser perdoadas sempre, mas não perdoam nunca. Querem ser endeusadas, magoam-se facilmente e se julgam sempre injustiçadas.
Quando o amor é verdadeiro perdemos o medo de correr riscos, nos entregamos por inteiro e envolvemo-nos profundamente com a outra pessoa. Muitos não estão preparados para isso e nem se expõe para aprender. Se ama, o faz de uma forma captativa.
Não conheço e não acredito em regras que nos ensinem a amar. Podemos ler mil livros, conversar com pessoas experientes, podemos tentar controlar o coração e ter novas táticas de atuação no jogo do amor, mas será tudo em vão! A teoria não tem acesso ao coração.
Eu só acredito que para mudar a maneira de amar, a pessoa terá primeiro que mudar a sua maneira de ver a vida e, para isso, precisará de humildade, coragem e perseverança.
Amar e ser amado é maravilhoso, mas também é assustador, pois nos dá a impressão de se ter perdido todo o controle e de nos termos tornados totalmente vulneráveis. Para amar temos que ter coragem de nos expor, a humildade para perdoar, flexibilidade para conviver e bom humor para brincar. Não podemos ter medo das pessoas, medo da intimidade, de sentir e de ser sentido.

Micheli Krayevski

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Emoções – É preciso conviver com elas!

O Controle Emocional é a capacidade de lidar com os próprios sentimentos, adaptando-os segundo a circunstância e expressando de forma saudável para si e para o grupo no qual está inserido.
O equilíbrio entre razão e emoção é o caminho mais acertado. Os abusos costumam acarretar consequências danosas às pessoas. A razão excessiva faz com que o sujeito vivencie e demonstre pouco suas emoções, absorvendo para si toda a carga emotiva. Já a pessoa mais emotiva, que expressa seus sentimentos com facilidade, age por impulso e causa situações sociais desconfortáveis. O reconhecimento das emoções e sentimentos, bem como dos limites suportados é um primeiro passo para a busca do equilíbrio emocional. Lidar com a emoção e a razão em proporções que o levam a colocar-se de modo saudável diante das circunstâncias vividas poderá trazer um modo de vida estruturado, adequado à sociedade e, principalmente, saudável para si mesmo.
Uma pessoa que é envolta pelas emoções, agindo de modo impulsivo, geralmente, envolve-se em relacionamentos conflituosos, perde oportunidades de trabalho, arrepende-se de suas atitudes, gerando confusão em sua vida e na dos próximos.
Por outro lado, um sujeito que reprime suas emoções, não necessariamente estará utilizando só a razão para resolver suas questões. As emoções podem afetar suas decisões e posicionamentos diante da vida, porém os sentimentos não são expressos. A falta de manifestação das emoções e dos pensamentos provoca dificuldades na comunicação com outras pessoas, decisões e atitudes pouco efetivas, dificuldades nos relacionamentos pessoais e sociais, e principalmente, a possibilidade de somatização da carga emotiva.
Essa nova geração de jovens adultos, de modo geral, foram crianças que expressaram mais suas emoções e seus desejos, o que é benéfico, pois puderam vivenciar sentimentos e entrar mais em contato consigo mesmo. Tiveram oportunidades de serem autênticos. Porém, tiveram essa experiência com pouca capacidade de um adulto em impor limites, e até mesmo, saber lidar com suas próprias emoções diante das situações difíceis. É uma geração que sabe lidar pouco com suas frustrações, mas que possui potencial para adquirir equilíbrio emocional, se assim se propuserem a buscá-lo.
Lidar com frustrações é sofrido e angustiante. Diante dessa dificuldade, muitos acreditam que o caminho é eliminar a emoção da vida. Mas, esquecem que, na tentativa de eliminar a emoção, além de não vivenciar frustrações, tristezas, angústias, ansiedades, também não se vive amor, carinho, alegria, felicidade, conquistas. Porém, também as frustrações, sentimentos de injustiça podem atuar de um modo positivo, gerando força para mudanças de situações desagradáveis e sofredoras. A sociedade está buscando um ideal de sujeito que não é humano.
A emoção, como também a razão, faz parte do homem e de como ele se manifesta na vida, cada qual com sua singularidade. As diferenças enriquecem a vida e as pessoas, que podem aprender a viver com mais flexibilidade e se adequarem melhor às suas necessidades. A medida do descontrole emocional é aquela que prejudica a sociedade e o sujeito. Se uma pessoa não consegue lidar com a frustração do trânsito e tem ataques de fúria, dirigindo de modo imprudente e cometendo crimes, coloca a sociedade em risco. A pessoa que não consegue lidar com a discordância de seu pensamento, e perde seu trabalho por um comportamento impulsivo, coloca a si mesmo em risco. Nesses casos, é necessária a busca de ajuda profissional. Uma terapia poderá trazer benefícios ao lidar melhor com suas emoções e sentimentos.


Micheli Krayevski
Psicóloga
(47) 9193 6553

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Seleção de Pessoas – Um desafio atual

Em uma economia cada vez mais globalizada, as técnicas e os produtos se tornam cada vez mais similares, então o Fator Humano torna-se item decisivo no sucesso de uma corporação. As diferenças entre uma pessoa e outra, não reside unicamente no que as pessoas sabem fazer, e sim seu potencial de aprendizagem e realização.

Nesse sentido o processo de seleção é essencial para o sucesso de uma empresa. Pois é por meio dele que as organizações podem identificar talentos com potencial para fazer a diferença nesse mercado competitivo. Recrutar e selecionar são, definitivamente, atividades muito complexas e devem ser tratadas com extremo profissionalismo, com a contratação de profissionais devidamente habilitados.
Até pouco tempo atrás, a mentalidade empresarial rendia-se basicamente ao significado de duas palavras: competitividade e produtividade. Além de que, hoje vivemos em uma sociedade imediatista, intolerante e virtual, que cultua a falta de tempo, o estresse e as manipulações. A meta da hora é ser “vencedor”. E o que é ser um vencedor? Certamente não é aquele que tem pouca confiança em si, que precisa desvalorizar o colega de trabalho; que manipula as pessoas; que não aprende com os próprios erros e, por isso, continua errando; que vive em permanente estado de ansiedade e ainda ocupa a mente e o tempo com preocupações irrelevantes.
Empresas verdadeiramente comprometidas com o crescimento profissional de seus funcionários, buscam mais do que competência técnica e profissional. Buscam pessoas equilibradas emocionalmente, que valorizam a qualidade de vida, que expressam seus sentimentos com naturalidade, sabendo administra-los; que buscam trabalho em equipe; que apreciam a cooperação no lugar da competição; que tenham capacidade de gerenciar conflitos, que sejam criativas, ousadas e motivadas!
O momento para separar os indesejáveis é dentro do processo de seleção e não depois. Além disso, o processo de seleção deve acompanhar as demandas latentes:
• Agilidade de resposta. É essencial preencher a vaga em tempo hábil.
• Qualidade no atendimento. Tanto do cliente (interno ou externo) bem como do candidato.
• Indicação de candidatos que atendam ao perfil da vaga. Neste aspecto é que a grande maioria dos profissionais pecam. Pois é necessário traduzir as expectativas do contratante em um perfil que deve ser avaliado, mensurado e descrito em competências que sinalize à assertividade na escolha.
Assim, tem-se como tendência a Seleção por Competências, que além de especificar de forma clara os indicadores comportamentais do perfil, permite ao profissional planejar as etapas do processo com base em informações objetivas, facilitando a avaliação dos pontos de excelência e insuficiência de cada candidato. Essa metodologia traz como pontos fortes a clareza do perfil e maior facilidade para avaliar os candidatos com imparcialidade, justiça e ética.
Na seleção, consegue-se identificar, através de testes de aptidão, personalidade e de entrevistas, não só informações que vão nos dizer se o candidato preenche os requisitos da vaga mas, principalmente, se ele se enquadra na cultura da organização. Busca-se erradicar uma serie de falhas que possam comprometer o processo de contratação como também detectar os valores do profissional que poderão, nem futuro próximo, ser transformados em competência essencial para a empresa.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Não podemos perder talentos para as drogas!

Programas de prevenção e combate ao uso de drogas sempre encontram barreiras, principalmente dentro das empresas. Se o assunto é tabu em qualquer lugar, nas organizações adquire proporções quase demoníacas. Álcool, tabaco, maconha e cocaína, entre outras drogas, são frequentes no ambiente de trabalho, mas seu uso muitas vezes passa despercebido. O problema é que queda na produtividade, absenteísmo e falta de motivação nem sempre são atrelados ao uso de drogas pelos funcionários.

A primeira pesquisa sobre drogas feita no Brasil, em 2001, em que o Cebrid (Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas), da Unifesp, entrevistou 8.589 pessoas de 107 cidades do país, registrou a dependência de álcool em 11,2% dos entrevistados. Essa também é a droga que mais problemas causa dentro das empresas, seguida pelo tabaco, pela maconha e pela cocaína.
A dependência - independentemente da droga - não elege cargo ou função. De diretores a auxiliares, todos podem ter problemas! Mas quem exerce cargos gerenciais, portanto desempenha papel de líder, tende a se esconder mais, a ficar distante dos poucos programas oferecidos pelas organizações. Pois, há o medo de que a equipe comece a desrespeitá-lo.
O diálogo, o interesse na vida do funcionário, reflete uma mudança significativa na abordagem do problema. Há dez anos, o assistencialismo e o tom acusatório imperavam. Hoje, falar de drogas em empresas não é mais fácil, porem se faz extremamente necessário.A forma menos difícil é incluir o assunto nos programas de qualidade de vida. Nos conceitos modernos, o funcionário é quem assume a responsabilidade sobre si. E os temas álcool, tabaco e drogas ilícitas entram no rol dos problemas de saúde, dividindo espaço com programas de combate ao estresse e de prevenção ao câncer de mama, por exemplo.
É evidente o progresso das empresas. Claro que não podemos negar que há a dificuldade em aceitar o problema. Mas hoje temos casos que provam que a interferência da empresa é indispensável; e não se trata de benemerência, mas de pensar na relação custo-benefício: sai mais barato orientar e tratar o funcionário do que demiti-lo.

Como companhias modernas ajudam o funcionário dependente
• Divulgam, para os funcionários de todos os níveis e setores que estão iniciando um projeto de prevenção e combate ao uso de drogas.
• Deixam claro que o empregado que participar do programa não será demitido, mas sim orientado e tratado.
• Incluem esses programas em outros maiores, de qualidade de vida, o que diminui o preconceito com o tema.
• Definem como primordial a participação da diretoria da empresa no projeto.
• Não obrigam o profissional a aderir; a participação é sempre voluntária.
• Montam equipes multidisciplinares que coordenam o programa, formadas por médicos, psiquiatras, psicólogos e assistentes sociais, entre outros profissionais.
• Montam equipes de monitores - funcionários treinados para "educar", orientar e encaminhar para tratamento eventuais dependentes químicos.
• Oferecem consultas com psicólogos, dentro e fora da empresa.
• Custeiam tratamentos ambulatoriais, internações e medicamentos (como adesivos para parar de fumar).
• Estendem a familiares alguns dos benefícios oferecidos aos empregados.


Lidar com o uso e abuso de drogas dentro das empresas, não é uma tarefa fácil, mas sem duvidas vale a pena bem cuidar das pessoas, as quais desenvolvem atividades para as organizações. Não podemos perder talentos para as drogas!

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Antigo metodo de prevenção: AMIGOS!

Viver com grupos sociais é importante. Desde os tempos mais remotos da humanidade, já se tem histórico dessa necessidade. Precisamos uns dos outros para auxiliar na evolução, procriação e na sobrevivência de nossa espécie. Hoje em dia é possível verificar cientificamente, que não é só para isso que os grupos sociais existem. As pessoas com as quais convivemos, nos são extremamente úteis como proteção de diversas doenças.

Podemos considerar amigos como uma vacina. Pesquisas já comprovaram que pessoas que sofrem derrame, e após o trauma, continuam a ter convívio social, diminui em 30% as chances de a problemática voltar a ocorrer. Além disso, pessoas que possuem amigos – e em grupos variados – tendem a se tornar duas vezes menos suscetíveis a gripe comum. Mesmo estas estando mais expostas ao vírus por causa do convívio. Os riscos que o isolamento social nos proporciona a saúde já pode ser comparado ao fumo, hipertensão e a obesidade!
Uma conclusão parece inevitável: participar de vários grupos sociais ao longo da vida e preservar o senso de identidade social tem influencia profunda em nossa saúde geral e na sensação de bem-estar. Esta descoberta tem por base um ponto exaustivamente proclamado da natureza humana: somos animais sociais e evoluímos por e para viver em grupos. Isso para os humanos, é indispensável para definir tanto quem somos quanto o que precisamos para desfrutar de uma vida mais rica e completa.
Já nos escreveu o cientista político Robert Putman, “Se você não pertence a nenhum grupo, mas decide faze-lo, diminui pela metade seu risco de morrer no ano seguinte”. Um tanto quanto exagerado, mas realmente a convivência pode funcionar contra as ameaças à saúde física e mental, o que é muito mais barato que os métodos farmacêuticos, com menos efeitos colaterais e na grande maioria das vezes muito mais divertido!

 
Micheli Krayevski


quarta-feira, 14 de abril de 2010

De onde vem os bebês?

Dentro do contexto clínico e até mesmo no dia-a-dia me são relatadas diversas “saias justas” que as crianças envolvem seus pais. São tantas perguntas em relação à sexualidade, que eles ficam temerosos em relação às informações cedidas. Medo de estimular a sexualidade de seu filho, medo de dar informações negativas em relação ao sexo. Medo de errar na dose..
A primeira pergunta clássica dessas crianças é: De onde vem os bebês?
Imaginou seu filho perguntar o que é sexo oral na fila do banco? Ou perguntar para o pai, na farmácia, qual a camisinha que ele usa? Achar uma foto de alguém nu e andar com ela pra todo canto, sem permitir que alguém a olhe?
Essas e muitas outras perguntas são feitas por crianças e na maioria das vezes os pais não sabem como conduzir. O que responder? Ou pior: mentir, não responder e deixar a criança receber essa informação por outra fonte, que na maioria das vezes, não é segura; fantasiar, imaginar, criar!
É importante os pais saberem que, mesmo que eles não falem diretamente sobre sexo com o seu filho, eles vão emitindo valores a respeito da sexualidade. Em suas conversas com pessoas mais velhas, através da internet, televisão, etc. Hoje, o acesso a essas informações acontece cada vez mais cedo. Então, a educação deve começar cedo, desde a primeira dúvida da criança. Até porque a falta de informação gera ansiedade e culpa!
Porque é tão importante falar sobre sexo com as crianças?
- A criança informada de forma correta, terá maiores chances de saber lidar com sua sexualidade e, no futuro, vivenciá-la saudavelmente.
- Conversar sobre esse assunto em casa ajuda a destruir alguns mitos e a corrigir algumas informações e conceitos errados.
- Quando não se tem espaço para falar sobre sexo claramente e esclarecer suas dúvidas, a criança cria fantasias que geram ansiedade. O que no futuro poderá, trazer prejuízos emocionais, de relacionamento e/ou sexuais.
- Possibilita um aumento da intimidade e confiança entre pais e filhos. Os filhos passam a ver os pais como pessoas com quem podem contar no caso de uma dúvida ou problema.
- Aumenta a afetividade.
- Quando conversam, as crianças ficam mais tranqüilas, porque têm suas dúvidas sanadas.
- A criança entende e conhece melhor o próprio corpo.
- Proteção contra abuso sexual: informado sobre sexo o seu filho terá melhores condições de se proteger de situações externas, sem se sentir culpado, com medo das ameaças, muitas vezes impostas pelo agressor.
- Pesquisas mostram que crianças que conversam sobre sexo com os pais são mais responsáveis e tendem a ter início da vida sexual adiado, quando se sentem mais amadurecidas.
Por tanto, pais conversem sobre sexo com seus filhos! Se tiverem dificuldade, se utilizem de alguns instrumentos que existem. Uma orientação com um profissional ou através de literatura especializada. Existem livros para pais e educadores e para a própria criança, que explicam de uma maneira lúdica e clara o assunto.


Micheli Krayevski
Psicóloga
(47) 9193-6553
chelykrayevski@gmail.com

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Distúrbio de Déficit de Atenção

Falar de DDA – Distúrbio de Déficit de Atenção, está em alta. Mas, a compreensão dos problemas cognitivos de crianças em idade escolar vai muito além de simples modismo. Até porque pode ser reconhecido como elemento chave ao entendimento de alguns (não todos) os fracassos escolares.
Pode-se referir ao DDA como o déficit de desenvolvimento relativo às habilidades cognitivas específicas, tais como: atenção, memória e a percepção. Que são associados a problemas de processamento de informação e a deficiência de aprendizagem nas áreas da linguagem oral, escrita e nos cálculos matemáticos
Através de muitos estudos, sabe-se que esses distúrbio ocorre, muito frequentemente, associado a problemas de memória, de linguagem receptiva e expressiva, de habilidades na execução de tarefas, manejo do tempo ou pela desorganização do material escolar.
O esclarecimento de critérios bem definidos para a identificação e classificação dos déficits de atenção é essencial para se prestar o auxilio necessário a essa criança ou adolescente. O DSM-IV (Manual Diagnóstico e Estatístico de Doenças Mentais, quarta edição) define a desatanção em crianças como a dificuldade de manter-se alerta a detalhes e a tendencia a cometer erros descuidados nas tarefas escolares: inabilidade para ouvir com atenção uma conversa, dificuldade para seguir instruções, dificuldade em organizar tarefas e atividades, rejeição a tarefas que requerem maior esforço mental, tendencia a perder coisas necessarias para as realização das atividades, distração com estimulos externos, esquecer-se facilmente de tarefas diárias. Tambem tem que ficar atento se o problema do deficit de atençao nao está associado a hiperatividade!
A multiplicidade de causas e de fatores associados aos déficits de atenção tem aberto espaço a um grande numero de propostas para o seu tratamento. Dietas alimentares e suplementos vitamínicos são dois exemplos de tratamentos ainda sem comprovação cientifica – estudos ainda estão sendo realizados nessa área. Entretanto os psicoestimulantes e antidepressivos tem sido os tratamentos mais tradicionais usados para reduzir a desatenção, impulsividade e hiperatividade que acompanham os déficits de atenção. Dada a natureza comportamental dos sintomas, o tratamento medicamentoso não é uma idéia implícita na conclusão diagnostica. Aceita-lo ou não é sempre uma decisão difícil para os pais. Até porque as crianças não apresentam problemas médicos evidentes. São drogas controladas e com uso infreqüente na área pediátrica.As controvérsias a respeito das terapias a base de medicação voltaram os esforços e atenções dos especialistas para a busca de uma intervenção psicológica direcionada para o tratamento de alguns sintomas dos déficits de atenção.
A ajuda à criança e à família, por meio de uma equipe profissional que cuide dos aspectos médicos, emocionais, comportamentais e educacionais da criança, parece hoje ser a maneira mais efetiva de tratamento. Tais serviços incluem uso de medicamento para aumentar a concentração e o treinamento educacional, mediante atendimento individualizado a criança e treinamento para os pais e professores. Outros tipos de intervenção, tais como a terapia individual, familiar, a intervenção psicomotora, são muito recomendados para um tratamento conjunto.
O importante é não permitir que as crianças que apresentam esse tipo de problema tenham que crescer passando por “burros” ou “esse não tem jeito mesmo”. Déficit de Atenção é controlável e tem tratamento!

Micheli Krayevski
Psicóloga CRP 12/08587
(47) 9193-6553

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Orientação Sexual para Adolescentes

Se fala tanto no termo orientação sexual nos dias de hoje. Mas afinal de contas, do que se trata?

A orientação sexual é uma forma de esclarecer questões relacionadas ao sexo, só que este esclarecimento deve ser livre de preconceitos e tabus. A dificuldade é encontrar pessoas esclarecidas que venham a cooperar na fase mais difícil e de maiores descobertas da vida de qualquer individuo: a adolescência.
Se falar de sexo já é considerada uma tarefa difícil, falar sobre sexo com adolescentes é mais complicado ainda. Já que estão no momento em que acreditam saber de tudo, não precisar da ajuda de ninguém – fase esta conhecida como onipotência adolescente, conceito dado por Aberastury.
Deve-se considerar que está sim é a hora para se conversar sobre sexo, já que é quando se está descobrindo as mais diferentes formas de se relacionar e sentir prazer. É ai que se fica mais exposto aos “perigos” do sexo (DST’s, gravidez indesejada, frustrações sexuais...). Infelizmente o ser humano tende a acreditar que o perigo sempre está ao lado de outras pessoas e que nada irá acontecer com ele mesmo, o que o coloca vulnerável a tais situações.
O objetivo principal da orientação sexual é preparar os adolescentes para a vida sexual de forma segura, chamando-os à responsabilidade de cuidar de seu próprio corpo. Desde higiene, proteção e sempre que necessário buscar orientação medica (ginecologista para as mulheres e o urologista para os homens). Esses profissionais poderão ajudar a tirar todas as duvidas físicas existentes. Para as duvidas psicológicas (frustrações, fantasias, medos, etc) o profissional mais indicado é o psicólogo.
Falar de camisinha, anticoncepcional, DST’s entre outros é comum. Todas as escolas passam esses conceitos. O problema está em ouvir esses adolescentes, deixar que eles expressem seus sentimentos, suas duvidas, e poder romper com os mitos tão comumente falado durante esse processo de descobertas. Ainda mais com a supervalorização do sexo, que acaba revertendo num processo contrario: a banalização.
É importante falar sobre as espectativas da primeira vez, a escolha do parceiro, sentimentos, paixões, emoções... ESCLARECER!
Luiz Fernando Veríssimo é quem diz que: “Você é o seu sexo. Todo o seu corpo é um órgão sexual, com exceção talvez das clavículas”. Talvez até mesmo as clavículas sejam e não tem nada melhor no mundo do que nos descobrir e descobrir nossa sexualidade com o menos numero possível de traumas


Micheli Krayevski

Psicóloga
chelykrayevski@gmail.com
9193-6553

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Desenvolvimento de Doenças Psicogênicas

As doenças psicogênicas são diagnosticadas geralmente após ter se descartado as possibilidades biológicas para esta. Em muitos casos não são tratadas adequadamente justamente pela dificuldade do diagnostica, por incredulidade de muitos profissionais da saúde.
Um caso bastante comum é do vomito psicogênico. Pois a principio é visto como um comportamento reflexo, cujo controle deve ser identificado nos estímulos incondicionados e nos estímulos condicionados, de acordo com a história do sujeito (Wolf, 1974). Há evidências, no entanto, de que, tal comportamento pode ser controlado pelas conseqüências que o seguem, caracterizando-se portanto como um operante. Em muitos casos o comportamento de vomitar torna-se persistente, podendo ocorrer com frequência altamente dramática, mesmo na ausência de patologia. Esses casos são referidos como vômito psicogênico (Erickson e Ogden, 1977 e Walen e colaboradores, 1977). As conseqüências para o organismo relacionam-se à diminuição das funções orgânicas, perda constante de peso, desnutrição e até morte. Os tratamentos médicos para esse tipo de problema envolvem dietas, fármacos e cirurgias. Os procedimentos comportamentais no tratamento de vômito psicogênico, em crianças de até aproximadamente dois anos, conforme revisão de literatura efetuada por Walen (1977), têm se restringido ao uso de controle aversivo, como por exemplo, suco de limão colocado na língua. A utilização desses procedimentos é justificada pela impossibilidade do uso de técnicas que seriam mais eficientes com jovens ou adultos (por exemplo: Prática Positiva, Dessensibilização, etc.) e também pela eficiência do controle aversivo na rápida redução do comportamento problema.
As vertigens podem-se acompanhar de elementos psicológicos, como causa e/ou efeito. É uma relação às vezes imbricada e também ás vezes pouco evidente numa primeira abordagem, sobretudo quando o quadro vertiginoso ocupa lugar de destaque. A compreensão das implicações psicológicas é essencial para uma resolução adequada do problema e a sistematização de algumas patologias ajuda, mas estamos longe de poder generalizar a importância dos fatores psicológicos e as relações causa/efeito, tanto porque temos poucos conhecimentos que nos elucidem sobre estas questões, nomeadamente quanto aos mecanismos subjacentes a esta relação vertigem/psicopatológico, como pela complexidade de fatores envolvida.
Devemos antes de mais precisar o tipo de vertigem de que estamos a falar. É muito diferente um estado de ansiedade que surge na sequência de uma vertigem de causa orgânica, por exemplo pós-traumática, de uma vertigem psicogénica a que podemos chamar de tontura. Ainda diferente e mais complicado é quando surge uma vertigem de causa orgânica definida numa pessoa com particularidades prévias de personalidade, pois não só se altera o quadro sintomático, como os insucessos terapêuticos se podem prolongar de forma desconcertante.
Se nos Estados de Ansiedade e nas Crises de Pânico podem surgir queixas subjetivas de desequilíbrio juntamente com um conjunto de sintomas patognomónico, que nos orientam para um diagnóstico, já por exemplo nos
Estados Dissociativos (correspondendo à anterior designação de “histerias”), os quadros clínicos estando igualmente ligados à ansiedade, podem ter uma apresentação que nos remete para outras patologias. Assim, não se oferecem dúvidas quanto aos procedimentos diagnósticos, que obrigam antes de mais a uma avaliação otorrinolarigológica, só permitindo depois outros tipos de abordagens, com vista a sistematizar racionalmente o estudo do doente.
Sabemos que o doente procura a cura para o sofrimento e incapacidade que a vertigem causa, e a insegurança que lhe é transmitida por “saltar” de intervenção médica em intervenção médica sem se conseguirem esses objectivos agrava a própria situação clínica. Pode-se chegar ao limite de se instalarem quadros depressivos e neuróticos à volta das crises vertiginosas, num estado conjunto muito incapacitante, transformando-se as crises em estados quase permanentes de doença.
Assim se evidencia a importância da recolha não só da descrição exaustiva das crises, como de eventuais fatores que de forma manifesta ou latente, as desencadeiem ou acompanhem, bem como acontecimentos de vida ou particularidades significativas da história pessoal.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

DESENVOLVIMENTO DA LINGUAGEM

No ser humano, desde pequeno existe a comunicação, mas esta não é feita por meio oral. A linguagem é um sistema de símbolos culturais internalizados, e é utilizada como comunicação social. Assim como no caso da inteligência e do pensamento, o seu desenvolvimento passa também por períodos até que a criança chegue a utilização de frases e múltiplas palavras.
Ao nascer, a criança não entende o que lhe é dito. Somente aos poucos começa a atribuir um sentido ao que escuta. Do mesmo modo acontece com a produção da linguagem falada. O entendimento e a produção da linguagem falada evoluem com o passar do tempo.
O desenvolvimento da linguagem se divide em dois estádios: o pré-lingüístico, quando o bebê usa de modo comunicativo os sons, sem palavras ou gramática; e o lingüístico, quando usa palavras.
No estádio pré-lingüístico a criança, de princípio, usa o choro para se comunicar, podendo ser rica em expressão emocional. Logo ao nascer este choro ainda é indiferenciado, porque nem ele, e muito menos a mãe sabe o que ele significa, mas aos poucos começa a ficar cheio de significados para ambos. É importante ressaltar que é a relação do bebê com sua mãe, ou com a pessoa que cuida dele, que lhe dá elementos para compreender seu choro.
No desenvolvimento da linguagem, os bebês começam imitando casualmente os sons que ouvem, através da ecolalia (repetição). Por isso as crianças que tem problema de audição, não evoluem para além do balbucio, já que não são capazes de escutar.
Por volta dos 10 meses, os bebês imitam deliberadamente os sons que ouvem, deixando clara a importância da estimulação externa para o desenvolvimento da linguagem. Ao final do primeiro ano, o bebê já tem certa noção de comunicação, uma idéia de referência e um conjunto de sinais para se comunicar com aqueles que cuidam dele.
O estádio lingüístico está pronto para se estabelecer. Sendo assim, contando com a maturação do aparelho fonador da criança e da sua aprendizagem anterior, ela começa a dizer suas primeiras palavras.
A fala lingüística se inicia geralmente no final do segundo ano, quando a criança pronuncia a mesma combinação de sons para se referir a uma pessoa, um objeto, um animal ou um acontecimento.
Espera-se que aos 18 meses a criança já tenha um vocabulário de aproximadamente 50 palavras. No entanto ainda apresenta características da fala pré-lingüística e não revela frustração se não for compreendida.
Aos 2 anos se espera que as crianças sejam capazes de utilizar um vocabulário de mais de cem palavras. Entre os 2 e 3 anos as crianças começam a adquirir os primeiros fundamentos de sintaxe, começando assim a se preocupar com as regras gramaticais. Usam, para tanto, o que chamamos de super-regularização, que é uma aplicação das regras gramaticais a todos os casos, sem considerar as exceções. É por isso que a criança quer comprar “pães”, traze-los nas “mães” (mãos).
Aos 6 anos a criança fala utilizando frases longas, tentando utilizar corretamente as normas gramaticais. Chomsky defende a idéia de que a estrutura da linguagem é, em grande parte, especificada biologicamente (nativista). Skinner afirma que a linguagem é aprendida inteiramente por meio de experiência (empirista). Piaget consegue chegar mais perto de uma compreensão do desenvolvimento da linguagem que atenda melhor a realidade observada. Segundo ele tanto o biológico quanto as interações com o mundo
social são importantes para o desenvolvimento da linguagem (interacionista).
Dentro da óptica interacionista, da qual Piaget é adepto, o aparecimento da linguagem seria decorrência de algumas das aquisições do período sensório-motor, já que ela adquiriu a capacidade de simbolizar ao final daquele estádio de desenvolvimento da inteligência. Soma-se a isso a capacidade imitativa da criança. As primeiras palavras são intimamente relacionadas com os desejos de ações da criança.
O egocentrismo da criança pré-operatório também se faz presente na linguagem que ela exibi. Desse modo, ela usa frequentemente a fala egocêntrica, ou privada, na qual fala sem nenhuma intenção muita clara de realmente se comunicar com o outro, centrada em sua própria atividade. É como se a criança falasse em voz alta para si mesma. Contudo ela também usa a linguagem socializada, que tem como objetivo se fazer entendida pelo interlocutor.
Já de acordo com Vygostisky não basta apenas que a criança esteja ‘exposta’ à interação social, ela deve estar ‘pronta’, no que se refere à maturação, desenvolver o estágio para compreender o que a sociedade tem para lhe transmitir:
Para fazer uma síntese do que torna fácil aprender para a criança, apresentamos abaixo:

A LÍNGUA É FÁCIL QUANDO:
É real e natural
É integral
Faz sentido
É interessante
Faz parte de um acontecimento social
Tem utilidade social
Tem propósito para a criança
A criança a utiliza por opção

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

O faz-de-conta de cada dia


Os jogos não são soluções mágicas, que resolvem qualquer problema da criança, mas certamente, ajudam no seu desenvolvimento, facilitando a descoberta do sujeito dentro de suas características singulares. Pelos jogos as crianças renovam as culturas infantis, desenvolvem formas de convivência social, se modificam e recebem novos conteúdos, a fim de se fortalecer. É pelo brincar e repetir a brincadeira que a criança vivencia a vitória da aquisição de um novo saber, o acrescentado a cada novo brincar.
A brincadeira libera o aprendizado sobre as pessoas e as coisas do mundo. Através do contato com seu próprio corpo, o seu ambiente, com a interação com outras crianças e adultos, as crianças vão desenvolvendo a capacidade afetiva, a cognição e a linguagem. “Na brincadeira infantil a criança assume e exercita os vários papéis com os quais interage no cotidiano. Ela brinca, depois, de ser o pai, o cachorro, o motorista, jogando estes papéis em situações variadas” (OLIVEIRA, 1992).
O faz-de-conta é uma brincadeira de complexidade, uma atividade lúdica que libera o uso da criatividade. Pelo faz-de-conta a criança pode reviver situações que lhe causam alegria, medo, raiva ou ansiedade. Ela pode, neste jogo mágico, expressar e elaborar fortes emoções muitas vezes difíceis de suportar na vida real. E a partir de suas ações nas brincadeiras, explora as diversas representações que tem destas situações difíceis, podendo melhor compreendê-las ou reorganizá-las.
De acordo com Vygotsky, o faz-de-conta é uma atividade essencial para o desenvolvimento cognitivo da criança, pois exercita o plano da imaginação, a capacidade de planejar, imaginar situações, os seus conteúdos e as regras próprias a cada situação. Para este autor, “a situação imaginária de qualquer forma de brinquedo já contém regras de comportamento, embora possa não ser um jogo com regras formais estabelecidas a priori. A criança imagina-se como mãe da boneca e a boneca como criança e, dessa forma, deve obedecer às regras do comportamento maternal” (VYGOTSKY, 1998).
Kishimoto destaca a situação imaginária e as regras, como elementos importantes na brincadeira infantil, onde, nas situações imaginárias claras ou não, há regras implícitas e explícitas. Através da brincadeira, a criança desenvolve a atenção, a memória, a autonomia, a capacidade de resolver problemas, se socializa, desperta a curiosidade e a imaginação, de maneira prazerosa e como participante ativo do seu processo de aprendizagem. “Ao prover uma situação imaginativa por meio da atividade livre, a criança desenvolve a iniciativa, expressa seus desejos e internaliza as regras sociais” (KISHIMOTO, 2003).
Frente os entendimentos apontados, a escola de educação infantil deve atender às necessidades da criança em suas diferentes fases do desenvolvimento, com propostas pedagógicas adequadas, que contenham atividades que despertem sua imaginação, contribuindo para o processo de construção da sua autonomia e conhecimento.
REFERENCIAL TEÓRICO

KISHIMOTO, T. M. O jogo e a educação infantil. São Paulo: Pioneira, 2003
OLIVEIRA, Z. M. Creches: Crianças, faz-de-conta & cia. Rio de Janeiro: Vozes, 1992.
VYGOTSKY, L. S. A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, 1998.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

PEDOFILIA: a doença por detrás do crime


Mesmo sendo considerado um fato indignante a Pedofilia é uma realidade que sempre esteve presente em nossa sociedade. Mesmo nos tempos mais remotos já foram encontrados vestígios dessa prática. Em muitas culturas era normal o adulto ter relações sexuais com crianças, já que fazia parte da iniciação sexual de seus membros, como nas tribos de Marind, na Malásia. Na Grécia Antiga, a prática não era bem aceita se os meninos tivessem menos de 12 anos, apesar de não haver lei contra isso. Na Idade Média, a partir de determinações dos imperadores bizantinos Constantino e Justiniano, as relações sexuais entre adultos e crianças começaram, de fato, a ser condenadas. Hoje as leis estão cada vez mais rígidas contra esse tipo de exploração sexual. Como a lei aprovada recentemente, em que portar material pornográfico, incluindo crianças é crime e dá cadeia! Mesmo assim são pouquíssimos os casos denunciados.
Como o caso ocorrido recentemente em Recife, o padrasto engravidou a menina de 9 anos – que ele abusa desde os 6 anos. Outro, em nossa região, ocorreu em Jaraguá do Sul, um rapaz de 26 anos abusou sexualmente de uma menina de apenas 2 anos. Esses são dois casos que foram divulgados pela mídia, mas muitos outros casos ocorrem e são encobertos. Socialmente são fatos revoltantes de causar repulsa em muitos. Até mesmo em presídios é uma pratica condenada pelos demais detentos (esses que já chegaram a matar!).
Vendo casos assim, nos perguntamos: o que passa pela cabeça de um sujeito desses? A psicologia e a sexologia já têm compreensão disso.
A pedofilia é uma parafilia, que quer dizer um padrão de comportamento sexual em que o prazer não está no ato sexual em si, mas em outra atividade ou objeto. Para o pedófilo o objeto de desejo é a criança e só através dela sentirá prazer sexual. Esse comportamento sexual é considerado pela OMS - Organização Mundial da Saúde uma anomalia, doença e perversão.
O pedófilo tem no mínimo 16 anos de idade e é pelo menos 5 anos mais velho que a vítima. O abuso ocorre em todas as classes sociais, raças e níveis educacionais. A grande maioria dos abusadores são homens, mas existem casos de mulheres também.
Esse abusador justifica seu ato dizendo que a criança passa a se sentir especial, que está oferecendo a oportunidade dela se desenvolver sexualmente, sentir prazer... Mas na realidade as conseqüências emocionais para a criança são bastante graves, tornando-as inseguras, culpadas, deprimidas, com problemas sexuais e nos relacionamentos íntimos na vida adulta.
Como na grande maioria das vezes o molestador é alguém próximo da criança é de suma importância que prestemos atenção nas mudanças de comportamento da criança e demos sim importância a suas denuncias e demais formas que elas utilizam para expressar que está sendo abusada.
Se a família ou a escola não se preocupar em cuidar e proteger essas crianças, elas sem duvida nenhuma estarão cada vez mais vulneráveis ao abusador. O governo disponibiliza um número para que esses crimes sejam denunciados, sem necessidade de identificação. É o disque 100, que pode ser ligado de todo território nacional. Temos que ter coragem e denunciar qualquer suspeita.

Micheli Krayevski – Psicóloga

chelykrayevski@gmail.com

Grupo de Apoio: oportunidade de rever a sexualidade de mulheres mastectomizadas


O câncer é hoje um tema muito considerado pelos meios de comunicação por tudo o que ele representa culturalmente e por suas implicações fisiológicas. Este tema é muito abordado em livros, revistas e publicações científicas apontando formas de diagnóstico, desenvolvimento e tratamento da doença. Essa exploração normalmente é enfocada no câncer como uma patologia e não na pessoa que vive esta situação.
O ser humano é constituído de biológico, psicológico e sócio-cultural; vivenciar este tripé equilibradamente o faz mais pleno e satisfeito consigo mesmo e com seu meio. Dentre essa satisfação está a sexualidade. Todo ser humano necessita viver sua sexualidade. Vivenciar-la é dar sentido ao corpo, a mente e as relações que se estabelecem ao longo do desenvolvimento. Em sua historia de vida a sexualidade traz marcas em cada fase do desenvolvimento - a infância, a adolescência a vida adulta e a velhice. Em todas estas fases a ela acompanha o indivíduo e dá o ritmo de satisfação e de convivência. É notório que qualquer alteração no corpo e na vida emocional refletirá diretamente na vivência da sexualidade, pois tudo está associado na completude da existência humana. Existem múltiplas ocorrências ao longo da vida que podem alterar a sexualidade de uma pessoa, porém aqui, irei me ater apenas ao câncer de mama e suas implicações na sexualidade de quem vivencia tal situação. Pois, os seios são de suma importância na vivência da sexualidade das mulheres e também dos homens.
A mastectomia (retirada total ou parcial do seio) é uma das formas de se lidar com o câncer de mama. Sem essa parte essencialmente feminina do corpo, a mulher mastectomizada passa a acarretar disfunções psicológicas e sexuais.
O trabalho de psicoterapia de grupo e de grupos de apoio vem como um auxilio importantíssimo a essas mulheres. Em grupo elas encontram a oportunidade de conhecer as dificuldades umas das outras, assim podendo se ajudar e ter como apoio a cumplicidade que se estabelece nesses grupos.
A possibilidade de entrevistar e vivenciar as sessões de grupo possibilitou compreender não somente algumas faces da realidade das mulheres mastectomizadas, como também as formas adotadas por elas para enfrentar a doença, assim como os modos de expressar a sua sexualidade. É importante destacar que cada mulher reage a cirurgia conforme algumas variáveis que dizem respeito à sua história de vida, ao contexto social e familiar. As dificuldades encontradas pelas mulheres para se adequarem a uma nova situação, a perda da mama, veio a comprometer de uma certa forma todos os âmbitos de suas vidas. As alterações do próprio corpo implicam também em transformações afetivas, refletidas na forma de como as mulheres percebem a si mesmas e na forma de vivenciarem seu cotidiano. O processo de (re)adequação da sexualidade a esse novo referencial de corpo ocorre lentamente. A oportunidade de expressar espontaneamente suas dificuldades e participar do grupo com mulheres que passam por situações semelhantes ajuda muito na elaboração dessa nova fase e nova sexualidade a ser descoberta.
Abraços
Micheli