Você já parou para pensar como pode ser difícil aprender a dizer “não”?
Curiosamente, o “não” é
uma das primeiras coisas que aprendemos quando somos bebês. O movimento de
balançar a cabeça negativamente faz parte do nosso desenvolvimento infantil.
Desde cedo, a criança aprende a impor e compreender limites. “Não quero”, “não
gosto”, “não vou”…
Mas, com o tempo, vamos
perdendo essa habilidade. Passamos a querer agradar os outros e, muitas vezes,
nos esquecemos de agradar a nós mesmos.
Aceitamos nos desagradar
por medo de desagradar os outros.
E, para nós,
mulheres, essa dificuldade parece ainda maior, especialmente nos
relacionamentos amorosos. Somos ensinadas a sermos boazinhas, a falar baixo, a
concordar, a estar sempre disponíveis, a não contestar. Crescemos acreditando
que dizer “não” é ser rude, inadequada, indesejada. Muitas mulheres, por
exemplo, se submetem a relações sexuais sem vontade, apenas para evitar
desagradar o parceiro. Não têm coragem de dizer “não”.
Será que temos medo de
sermos rejeitadas? De sermos julgadas?
No trabalho,
quantas vezes ficamos sobrecarregadas por não termos coragem de recusar
demandas? Quantas vezes aceitamos salários injustos, com medo de perder o
emprego? Nos submetemos por insegurança, por receio de desagradar.
E,
paradoxalmente, além de termos dificuldades para dizer “não”, também não
gostamos de ouvi-lo. É difícil suportar as frustrações que os “nãos” da vida
nos fazem sentir.
Mas hoje, com
mais consciência, percebo que muitos dos “nãos” que recebi me empurraram para a
construção de quem sou. As portas que se fecharam abriram caminho para novas
oportunidades.
O “não” de um
pai ou de uma mãe constrói caráter! Se meus pais não tivessem sido firmes em
seus “nãos”, eu não teria desenvolvido noção moral de certo e errado.
Precisamos reaprender a
dizer: não quero, não vou, não gosto, não desejo. Mas, para isso, é essencial
que saibamos, de fato, o que queremos para a nossa vida.
Dizer “não” é
um ato de honestidade.
Um “não” para o outro
pode ser um lindo “sim” para você!
Então, da próxima vez
que sentir vontade de dizer “sim” apenas para agradar, pergunte-se: estou sendo
fiel a mim mesma? Esse “sim” é um reflexo do que realmente quero?
Dizer “não” é
um direito. É um ato de amor-próprio. É o caminho para uma vida mais autêntica,
livre e alinhada com quem realmente somos.
Que possamos, cada dia mais, ter coragem de dizer “não” quando for preciso — e, principalmente, sem culpa.
Abraço
Micheli Krayevski Eckel
Psicóloga

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