domingo, 30 de março de 2025

Os "nãos" necessários!

Você já parou para pensar como pode ser difícil aprender a dizer “não”?

Curiosamente, o “não” é uma das primeiras coisas que aprendemos quando somos bebês. O movimento de balançar a cabeça negativamente faz parte do nosso desenvolvimento infantil. Desde cedo, a criança aprende a impor e compreender limites. “Não quero”, “não gosto”, “não vou”…

Mas, com o tempo, vamos perdendo essa habilidade. Passamos a querer agradar os outros e, muitas vezes, nos esquecemos de agradar a nós mesmos.

Aceitamos nos desagradar por medo de desagradar os outros.

E, para nós, mulheres, essa dificuldade parece ainda maior, especialmente nos relacionamentos amorosos. Somos ensinadas a sermos boazinhas, a falar baixo, a concordar, a estar sempre disponíveis, a não contestar. Crescemos acreditando que dizer “não” é ser rude, inadequada, indesejada. Muitas mulheres, por exemplo, se submetem a relações sexuais sem vontade, apenas para evitar desagradar o parceiro. Não têm coragem de dizer “não”.

Será que temos medo de sermos rejeitadas? De sermos julgadas?

 

No trabalho, quantas vezes ficamos sobrecarregadas por não termos coragem de recusar demandas? Quantas vezes aceitamos salários injustos, com medo de perder o emprego? Nos submetemos por insegurança, por receio de desagradar.

 

E, paradoxalmente, além de termos dificuldades para dizer “não”, também não gostamos de ouvi-lo. É difícil suportar as frustrações que os “nãos” da vida nos fazem sentir.

Mas hoje, com mais consciência, percebo que muitos dos “nãos” que recebi me empurraram para a construção de quem sou. As portas que se fecharam abriram caminho para novas oportunidades.

 

O “não” de um pai ou de uma mãe constrói caráter! Se meus pais não tivessem sido firmes em seus “nãos”, eu não teria desenvolvido noção moral de certo e errado.

 

Precisamos reaprender a dizer: não quero, não vou, não gosto, não desejo. Mas, para isso, é essencial que saibamos, de fato, o que queremos para a nossa vida.

 

Dizer “não” é um ato de honestidade.

Um “não” para o outro pode ser um lindo “sim” para você!

Então, da próxima vez que sentir vontade de dizer “sim” apenas para agradar, pergunte-se: estou sendo fiel a mim mesma? Esse “sim” é um reflexo do que realmente quero?

 

Dizer “não” é um direito. É um ato de amor-próprio. É o caminho para uma vida mais autêntica, livre e alinhada com quem realmente somos.

Que possamos, cada dia mais, ter coragem de dizer “não” quando for preciso — e, principalmente, sem culpa.




 

Abraço

Micheli Krayevski Eckel

Psicóloga

 

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