domingo, 30 de março de 2025

Sobre o casamento

 Qualquer pessoa que esteja em um casamento ou em um relacionamento longo sabe que essa é uma jornada cheia de altos e baixos. Às vezes, tudo flui bem. Outras vezes, parece que nada está funcionando. Há momentos em que você e seu parceiro evoluem juntos. Em outros, pode parecer que estão seguindo em direções completamente opostas.

E isso é completamente normal. Os relacionamentos são dinâmicos e, por mais que desejemos preservar o encanto e a intensidade do início, essa não é a realidade de um casamento. O amor passa por fases, com avanços, retrocessos e momentos de estagnação. A única certeza é que o casamento muda com o tempo.

 

Especialistas em relacionamento desenvolveram formas de avaliar o estado atual de uma relação. Uma delas é a Escala de Satisfação Conjugal. Reflita sobre cada uma dessas afirmações e veja se seu relacionamento precisa de mais atenção:

• Meu parceiro e eu nos entendemos bem.

• Estou satisfeito com a personalidade e os hábitos do meu parceiro.

• Estou feliz com a forma como lidamos com nossas responsabilidades no casamento.

• Meu parceiro compreende e respeita meus estados de espírito.

• Nossa comunicação é boa e sinto que meu parceiro me entende.

• Nosso relacionamento é um sucesso.

• Estou satisfeito com a forma como tomamos decisões e resolvemos conflitos.

• Estou feliz com nossa situação financeira e com a maneira como tomamos decisões sobre dinheiro.

• Minhas necessidades emocionais e afetivas são atendidas.

• Estou satisfeito com o tempo de qualidade que passamos juntos.

• Estou feliz com a maneira como expressamos afeto e nos relacionamos sexualmente.

• Estou satisfeito com a forma como cada um de nós assume suas responsabilidades como pais.

• Nunca me arrependi do meu relacionamento, nem por um momento.

• Estou satisfeito com nossa relação com familiares e amigos.

• Me sinto bem com a maneira como cada um de nós pratica suas crenças e valores.

 

Testes como esse oferecem apenas um retrato momentâneo da sua relação. Mas é importante lembrar que o casamento é um organismo vivo, sempre em transformação. Dividir a vida com alguém exige disposição para crescer juntos, para evoluir como indivíduos e como casal.

 

Como fortalecer seu relacionamento?

 

Se você sente que sua relação precisa de mais atenção, ou mesmo se quer torná-la ainda mais saudável, aqui estão algumas sugestões:

 

1. Comunicação honesta

 

É essencial compartilhar sentimentos, preocupações e até bobeiras do dia a dia de forma aberta e respeitosa, sem medo de julgamento. A confiança se constrói tanto nas conversas sérias quanto nas leves. Pode ser dividindo uma fofoca, um problema no trabalho ou simplesmente sentando juntos no fim do dia para tomar um chimarrão e colocar o papo em dia.

 

2. Respeito pela individualidade

 

Cada um precisa ser uma pessoa inteira dentro do relacionamento. Fabio Jr. canta “as metades da laranja, dois amantes, dois irmãos”, mas talvez ele não entenda tanto assim de casamento — afinal, já se separou algumas vezes! A verdade é que ninguém completa ninguém. Cada um tem sua história, seus sonhos, sua forma de ver o mundo. No casamento, o papel do parceiro não é preencher o outro, mas ser um apoio no caminho que cada um escolhe trilhar. E, quando as decisões afetam a família como um todo, a comunicação honesta é o que permite encontrar o melhor caminho para todos.

 

3. Aconchego

 

Um relacionamento saudável precisa ser um porto seguro. O casamento deve ser o lugar onde você pode relaxar, onde se sente acolhido e protegido. Lá fora, o mundo pode estar um caos, mas em casa, ao lado do seu parceiro, você deve encontrar segurança para compartilhar suas dores, medos e alegrias sem medo de julgamento. O casamento não pode ser um campo de batalha – precisa ser um refúgio.

 

4. Amor genuíno

 

E, por fim, o amor verdadeiro é aquele que te aceita exatamente como você é. Sem precisar caber em expectativas. Sem precisar esconder defeitos. Amor é se sentir querido mesmo descabelado, cantando desafinado ou dançando esquisito. Amor é ter a certeza de que seu parceiro escolheu você todos os dias, na alegria e na tristeza, no churrasco e no ovo frito.

 

Meu casamento não é perfeito. Pelo contrário, temos nossos desafios. Mas uma coisa que nunca duvidei foi do amor que ele sente por mim.

Esses dias, disse a ele que nosso amor é diferente de todos os outros. Minha mãe, minhas irmãs e minha filha me amam, mas esse amor vem de um laço familiar, de sangue. Ele, não. Ele me escolheu. Entre todas as pessoas do mundo, sou a preferida dele. Ele me ama com meus defeitos, vulnerabilidades e dificuldades. E a recíproca é verdadeira.

E talvez seja isso que faz um casamento durar: a decisão diária de escolher um ao outro.

Nem todos os dias serão fáceis, nem sempre estaremos na mesma sintonia, e algumas fases parecerão mais desafiadoras do que outras. Mas, no fim das contas, o que realmente importa é o compromisso de seguir juntos, de se reinventar, de buscar o equilíbrio entre o individual e o coletivo.

 

Relacionamentos longos não são sustentados apenas pelo amor romântico, mas pela amizade, pelo respeito e pela vontade genuína de construir algo juntos. São feitos de momentos simples, de risadas compartilhadas, de mãos dadas mesmo nos dias difíceis.

Então, se há carinho, se há parceria e se há o desejo mútuo de continuar, o casamento pode ser um espaço de crescimento, acolhimento e felicidade. Não perfeito, mas real.

 

Porque no fim das contas, amor não é sobre encontrar alguém que nunca te magoa ou que sempre acerta. Amor é sobre encontrar alguém que vale a pena perdoar, aprender e recomeçar, todos os dias.

E se, apesar de tudo, você ainda escolher essa pessoa — e ela escolher você — então, vale a pena continuar.

 

 

 

Os "nãos" necessários!

Você já parou para pensar como pode ser difícil aprender a dizer “não”?

Curiosamente, o “não” é uma das primeiras coisas que aprendemos quando somos bebês. O movimento de balançar a cabeça negativamente faz parte do nosso desenvolvimento infantil. Desde cedo, a criança aprende a impor e compreender limites. “Não quero”, “não gosto”, “não vou”…

Mas, com o tempo, vamos perdendo essa habilidade. Passamos a querer agradar os outros e, muitas vezes, nos esquecemos de agradar a nós mesmos.

Aceitamos nos desagradar por medo de desagradar os outros.

E, para nós, mulheres, essa dificuldade parece ainda maior, especialmente nos relacionamentos amorosos. Somos ensinadas a sermos boazinhas, a falar baixo, a concordar, a estar sempre disponíveis, a não contestar. Crescemos acreditando que dizer “não” é ser rude, inadequada, indesejada. Muitas mulheres, por exemplo, se submetem a relações sexuais sem vontade, apenas para evitar desagradar o parceiro. Não têm coragem de dizer “não”.

Será que temos medo de sermos rejeitadas? De sermos julgadas?

 

No trabalho, quantas vezes ficamos sobrecarregadas por não termos coragem de recusar demandas? Quantas vezes aceitamos salários injustos, com medo de perder o emprego? Nos submetemos por insegurança, por receio de desagradar.

 

E, paradoxalmente, além de termos dificuldades para dizer “não”, também não gostamos de ouvi-lo. É difícil suportar as frustrações que os “nãos” da vida nos fazem sentir.

Mas hoje, com mais consciência, percebo que muitos dos “nãos” que recebi me empurraram para a construção de quem sou. As portas que se fecharam abriram caminho para novas oportunidades.

 

O “não” de um pai ou de uma mãe constrói caráter! Se meus pais não tivessem sido firmes em seus “nãos”, eu não teria desenvolvido noção moral de certo e errado.

 

Precisamos reaprender a dizer: não quero, não vou, não gosto, não desejo. Mas, para isso, é essencial que saibamos, de fato, o que queremos para a nossa vida.

 

Dizer “não” é um ato de honestidade.

Um “não” para o outro pode ser um lindo “sim” para você!

Então, da próxima vez que sentir vontade de dizer “sim” apenas para agradar, pergunte-se: estou sendo fiel a mim mesma? Esse “sim” é um reflexo do que realmente quero?

 

Dizer “não” é um direito. É um ato de amor-próprio. É o caminho para uma vida mais autêntica, livre e alinhada com quem realmente somos.

Que possamos, cada dia mais, ter coragem de dizer “não” quando for preciso — e, principalmente, sem culpa.




 

Abraço

Micheli Krayevski Eckel

Psicóloga